“Avenida Brasil”, Uma nova linguagem na teledramaturgia brasileira

Postado por em out 19, 2012 em Agenda | 1 comentário

Muitos especialistas apontam que um certo ritmo cinematográfico teria sido um dos fatores da surpresa na teledramaturgia nacional chamada Avenida Brasil. Outros enxergam que a construção da novela como seriado, uma espécie de “A Grande Família do Tufão”, seria a chave para entender o sucesso. Mas a grande novidade da trama de João Emanuel Carneiro é aparentemente não apresentar nada de novo, o ineditismo está na mixagem de tudo que já foi produzido na TV.

O ritmo cinematográfico já estava presente nos travellings cuidadosos e na câmera na mão de O Rei do Gado (1996), dirigida por Luiz Fernando Carvalho. A novela enquanto seriado já está presente nas telinhas desde os anos 80, principalmente nas tramas das 19h. Muito menos a ambiguidade da protagonista Nina (Débora Falabella) é uma novidade, o Anjo Mau (1976) com a enfermeira interpretada por Susana Vieira que balançava entre ser vilã e mocinha que o diga.

 

Também não há nenhuma originalidade na metalinguagem empregada na trama. Por exemplo, o sinal de banana de Max (Marcello Novaes) ao deixar de vez a mansão de Tufão (Murilo Benício) revelando o segredo de Carminha (Adriana Esteves) é uma referência clara a Reginaldo Faria (Marco Aurélio) no final de Vale Tudo (1988), assim como a vilã Carmem Lúcia se dizendo enojada da pobreza do suburbano Divino é citação à Bia Falcão, personagem de Fernanda Montenegro em Belíssima (2005) soa como algo autêntico. Mas, na novela anterior, Fina Estampa (2011), a socialite Tereza Cristina (Christiane Torloni) não cansava de citar a vilã de Senhora do Destino (2004), Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), no momento de matar alguém empurrando-a da escada.

Então, qual seria o legado de Avenida Brasil e seu tamanho sucesso tanto de público como de crítica?

Como um bom DJ que conhece profundamente o material e o público com o qual está trabalhando – ou se preferirem ser mais zona sul, um maestro – tanto o autor João Emanuel Carneiro como os diretores José Luiz Villamarim e Amora Mautner souberam comandar com precisão cada item da teledramaturgia criada e feita até então. Eles mixaram com talento cada peça de tudo que compõe uma telenovela até aqui. Até a barriga – espaço morno do meio para o fim da novela – que acontece em todas as tramas, eles – como tradição – fizeram, mas a colocaram de forma curta e condensada (convenhamos que não foi muito longo o reinado de Carminha depois que adquiriu as fotos reveladoras de Nina).

E ainda nos coroaram na última semana com um dos elementos mais tradicionais do cinema e da teledramaturgia: o “whodunit” (contração para “who has done it?” ou em português: “quem vez isto?” História que rola em cima de um enigma: Quem Matou?), no caso de Max.

Exatamente por trabalhar pesadamente elementos da dramaturgia, duas peças foram essenciais para este trabalho: texto e atores. As falas afiadas davam margem à improvisação dos atores, que ganharam novo status. Os que eram considerados pelo público e crítica como bons atores continuaram no mesmo patamar. Adriana Esteves assim como Marcello Novaes saem valorizados e com outro status na profissão. Mas não foram só eles: Claudia Missura, Juliano Cazarré, Cacau Protásio, Isis Valverde ganharam certa notoriedade em seus papeis, graças ao investimento feito pelos diretores e pelo autor na dramaturgia.

 

Em certo sentido, Avenida Brasil é uma novela brasileira clássica, mas como nenhuma outra, com todos os elementos perfeitamente estudados e encaixados.

O efeito externo

Se na linguagem as mudanças de Avenida Brasil parte mais da atitude em relação aos elementos já existentes na teledramaturgia, os fatores externos ganham e se destacam como uma nova maneira de ver novela. Ela foi acompanhada simultaneamente nas redes sociais, principalmente o Twitter.

Com comentários engraçados, muitos assuntos e personagens da novela viraram trending topics – os assuntos mais comentados – do microblog. Memes também não faltaram. Aplicativos para a pessoa se “congelar” como no final de cada capítulo da novela ou a campanha de doação de um pen drive para Nina que não guardou as fotos de sua vingança em formato digital fizeram sucesso na rede.

Apesar de menos multimídia que a novela das 19h Cheias de Charme, Avenida Brasil também deve ao sua grande repercussão às redes sociais. #OiOiOi

Fonte: vírgula.uol.com.br

 

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1 Comentário

  1. Exelente comentário sobre Avenida Brasil. Deu uma noção clara dos recursos utilizados e da influencia da novela em tempos de redes sociais

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