Cinema brasileiro, em busca de novos caminhos para atingir seu público.

Postado por em dez 3, 2014 em Agenda | 0 comentários

03/12/2014 

Com menos de 5 mil espectadores, filmes de famosos ‘morrem na praia’

Longas com Luana Piovani, Priscila Fantin, e Lázaro Ramos não vingaram.
Diretores dizem que cinema brasileiro falha na distribuição e divulgação.

Letícia MendesDo G1, em São Paulo

Luana Piovani e Lara Rodrigues em 'Insônia' (Foto: Divulgação)Luana Piovani e Lara Rodrigues em ‘Insônia’ (Foto: Divulgação)

Bons tempos aqueles em que nomes famosos eram o suficiente para o apelo comercial de um filme brasileiro. Dados compilados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), de 3 de janeiro a 12 de novembro deste ano, mostram que alguns longas com atores bem conhecidos pelo público nadaram, nadaram e morreram na praia. Cineastas investem em roteiros, lutam para captar dinheiro e, na hora do “vamos ver”, culpam distribuição, divulgação e exibição.

Filmes menos populares que seus protagonistas
“Gata velha ainda mia” público: 3.180 pessoas
“Entre vales” 2.955 pessoas
“Insônia” 2.079 pessoas
“Jogo de xadrez” 521 pessoas
“O grande Kilapy” 109 pessoas

Essa expressão “morrer na praia” é usada pelo próprio cineasta Beto Souza, que lançou “Insônia” em fevereiro deste ano, com seis cópias. Estrelado por Luana Piovani (“A mulher invisível”), o filme gaúcho foi visto por 2.079 espectadores e arrecadou R$ 25.215,70 de bilheteria no país.

“É evidente que os números são péssimos. E isso nos remete a uma questão central do cinema brasileiro, que é a falta de uma cadeia de produção completa. Fazemos o processo pela metade e, por isso, 90% dos filmes morrem na praia depois de longos anos de produção”, afirma Beto ao G1. “Existe no país a interpretação clichê de que os nossos problemas decorrem da falta de bons roteiristas. Nada mais falso, o problema é a falta de entendimento por parte dos produtores de que o filme não acaba na primeira cópia.”

Com apenas três cópias colocadas em cartaz em outubro, para competir com o blockbuster da Universal Pictures “Drácula: A história nunca contada”, “O grande Kilapy” apostava no astro Lázaro Ramos (“Ó Paí, Ó”) como protagonista. Isso garantiu bem pouco ao filme do diretor Zezé Gamboa, que foi visto por 109 pessoas e rendeu R$ 1.137,00.

'O grande Kilapy' (Foto: Divulgação)

Outra decepção foi “Jogo de xadrez”, com Priscila Fantin, estrela de novelas como “Alma gêmea” (2005), no papel de uma presidiária. Dez cópias do filme foram vistas por 521 espectadores e fizeram R$ 6.707,83. “A bilheteria do filme foi muito abaixo do que eu esperava, por várias questões. E isso não é pela qualidade do filme. Até porque o desempenho internacional está sendo muito bom! E lá fora, ninguém conhece esses atores”, diz o diretor estreante em longas Luis Antonio Pereira.

Ao G1, ele elenca vários fatores que atrapalharam o desempenho de seu filme. Luis aponta falhas na “estratégia do distribuidor para a janela dos cinemas”; nos “horários alternativos em que os exibidores jogam os filmes nacionais e ainda nos cobram por isso”; e na divulgação. “A Ancine me prejudicou na captação de recursos e também no pouco que captei, onde só fui receber deles 2 meses após o lançamento”. A assessoria de imprensa na Ancine não quis comentar o caso.

Não basta ser famoso
Outras produções lançadas em 2014 também não chegaram aos 5 mil espectadores. “Gata velha ainda mia”, com Regina Duarte e Bárbara Paz, foi visto por 3.180 pessoas; “Entre vales”, com Angelo Antonio, fez 2.955 de público; e “Minutos atrás”, com Vladimir Brichta, conseguiu alcançar 860 pessoas.

'Jogo de xadrez' (Foto: Divulgação)

“Não basta para um filme decolar ter uma boa e conhecida atriz, um cartaz legal, e mais 3 ou 4 pré-estreias. É preciso muito mais do que isso. A partir da primeira cópia tem mais um outro filme pela frente, que é a sua colocação no mercado, exigindo mais 50% do orçamento e muito trabalho. No caso do ‘Insônia’, temos a Luana Piovani, mas isso seria apenas o ponto inicial de uma arquitetura de produção. Deve ter faltado dinheiro para o restante, é óbvio, e esse parece ser o enredo mais comum do cinema brasileiro”, afirma Beto.

Luis também elogia Priscila Fantin, dizendo que o trabalho dela no filme “é um diferencial de tudo o que ela fez”, e diz que prefere ressaltar o lado bom. “Outro fator positivo do filme é que já estou recebendo convites para dirigir meu próximo filme fora do país. Lembrando que isso foi puro e simples interesse de produtoras que assistiram ao meu trabalho. Ou seja, o saldo é altamente positivo para o meu primeiro longa.”

fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2014/12/com-menos-de-5-mil-espectadores-filmes-de-famosos-morrem-na-praia.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1

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