Produção Cultural: A Indústria Cultural na Globalização”

Postado por em set 15, 2014 em Banco de currículos | 0 comentários

A indústria cultural na globalização

”Os vencedores da globalização são minoria”

O livro “Teoria Crítica da Indústria Cultural” do autor Rodrigo Duarte, no seu último capítulo, nas duas primeiras partes deste capítulo, tem como tema a indústria cultural global. Ou seja, para além do conceito de globalização da economia, aborda o estudo do fenômeno da globalização no seu contexto cultural, onde novas relações se estabelecem e se tornam mais complexas do que as relações presentes, por exemplo, na indústria cultural na época de Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt.

Tal estudo da indústria cultural, no novo contexto da globalização, vai analisar, sobretudo, seguindo autores tais como Ulrich Beck e Scott Lash, o novo conceito de segunda modernidade ou modernidade reflexiva, e o seu significado como um modo de interpretar o mundo contemporâneo. E que se conclui na análise das grandes fusões empresariais e formações dos conglomerados dos media, o que será o fenômeno mais importante para entendermos do que se trata a indústria cultural global, lembrando, contudo, de sua face excludente, onde há uma camada privilegiada e concentração enorme de capitais em vista dessa formação de gigantes dos media, enquanto que há os perdedores de tal modernidade reflexiva sob os conflitos étnicos e de nacionalidades à margem deste fenômeno de globalização cultural do status quo.
O autor começa o tema afirmando ser impossível abordar de forma completa o tema da globalização em apenas poucas páginas, também sendo difícil fazer uma síntese de tal tema devido à diversidade de interpretações do tema, e por último devido a ser a globalização um processo em curso, donde não se tem uma distância histórica para podermos emitir juízos mais completos e definitivos. Entretanto, é possível que façamos uma abordagem esquemática do tema, e é o que o autor propõe, fazendo isto em vista das conexões com o tema da indústria cultural, ou seja, partindo do tema da globalização (que está no último capítulo do livro) e chegando no tema da indústria cultural (o tema principal do livro).
O autor começa a sua reflexão afirmando que a globalização colocou o tema da indústria cultural em um novo contexto mais amplo, o qual não existia na época de Adorno, Horkheimer e da Escola de Frankfurt, época em que se originou o conceito inovador de indústria cultural, tema por excelência do século XX, e que se estende ao século XXI exatamente em novo contexto e novas problemáticas.
Deste modo, surge o termo “indústria cultural global” empregado pelo sociólogo inglês Scott Lash, sendo mencionado também por Ulrich Beck, sociólogo alemão que se destacou por sua concepção de “sociedade de risco”, e atualmente trabalhando no sentido de estabelecer um conceito equilibrado de “globalização” ao introduzir a concepção de “segunda modernidade” ou “modernidade reflexiva”, onde se juntam nessa discussão Anthony Giddens e o mencionado Scott Lash.
O autor, então, segue a sua reflexão nos passos de Ulrich Beck e Scott Lash, onde a reflexão sobre a “modernidade reflexiva” não chega a ser uma apologia do status quo globalizado, mas que introduz temas tais como o advento dos novos meios de comunicação e de tecnologia da informação.
Tanto Beck quanto Lash afirmam que uma das consequências da globalização “é a degeneração da classe operária organizada, que até finais do século XIX era um contrapeso com relação à tendência internacionalizante do capitalismo, numa espécie de subclasse que não dispõe mais do relativo poder político que chegou a ter” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 148). “A importância disso para o novo quadro que se delineia com a globalização é imensa, pois, se há pouco mais de cem anos os capitalistas clássicos – já cientes da necessidade de internacionalizar seus investimentos – encontraram no operariado socialista, também pronto para a internacionalização do seu movimento, um limite à expansão mundial, hoje os empreendedores globais não encontram qualquer contra-poder” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 149). Portanto, com estas citações, fica claro, por conseguinte, que os tempos são outros, o socialismo não representa mais uma ameaça à expansão capitalista, que passou de sua fase liberal e entrou em sua fase globalizada, onde o poder dos empreendedores transnacionais aumenta.
Beck afirma que já vivemos numa sociedade internacionalizada, onde o comércio internacional se expande, numa revolução permanente nas tecnologias de informação e comunicação, no avanço universal dos direitos humanos (há controvérsias), e nos “fluxos imagéticos” das indústrias culturais globais. O ponto principal, no entanto, é a importância que os meios de comunicação de massa assumem nesse processo de globalização.
Beck entende o conceito de globalização, por sua vez, como algo que transcende as fronteiras entre os Estados nacionais, vide as novas tecnologias como a Internet, por exemplo, onde pessoas de diferentes lugares podem se comunicar de forma instantânea. O que Beck nos diz é que esse processo de globalização (para além de sua conotação exclusivamente política ou econômica) é um processo que está sendo impulsionado e se sofisticando com o avanço tecnológico da comunicação e da informação. Beck nos traz, portanto, o conceito de globalidade, que é nada mais que a conscientização da relativização das fronteiras nacionais, onde diferentes culturas podem interagir formando culturas mistas.
Em relação à globalização cultural “ela não implica na pura e simples McDonaldização do mundo, com toda a padronização cultural e de estilos de vida, mas seria, antes, uma chance de se chegar a uma simbiose positiva entre o próximo e o distante, o local e o global” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 152). Temos aí o conceito inovador de cultura aberta, ao contrário das culturas fechadas e confinadas em si mesmas. É um novo modo de entender a cultura, tal como se fosse um software humano, que tem nos recursos da civilização o seu hardware, ou seja, a cultura não se define mais por territórios ou tradições, mas sim por codificações imateriais que fazem as sociedades funcionarem. “Tem-se aqui, mais uma vez, uma possibilidade de acesso ao significado de modernidade reflexiva: A diferenciação entre os dois tipos de cultura pode ser entendida como mais uma peça do quebra-cabeças para se diferenciar a primeira da segunda modernidade” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 153). Há, portanto, nesta segunda modernidade ou modernidade reflexiva, uma abertura da cultura local para a global, somando a isto o que Beck denomina de “poligamia transnacional de locais”, que significa o fenômeno de pessoas que moram em dois ou mais países diferentes, o que é uma novidade da globalização onde o fluxo transnacional de pessoas aumenta cada vez mais.
No entanto, na globalização cultural, embora haja este conceito de cultura aberta, onde diferentes culturas interagem, há sim o perigo de manipulação ideológica, e essa é uma das características marcantes da indústria cultural desde a época de Adorno, e que aumenta, deveras, na sua fase globalizada. Há, por conseguinte, uma tendência de unificação, em escala mundial, das formas simbólicas. Nas palavras de Beck: “Os conglomerados, que objetivam um domínio de mercado na fabricação de símbolos culturais universais, usam a seu modo o mundo ilimitado das tecnologias de informação … Os satélites permitem ultrapassar todas as fronteiras nacionais e de classe e plantar o brilhante mundo da América branca nos corações das pessoas em todos os cantos do mundo” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 154). Embora tenha tal perigo, há um interesse econômico pelas culturas ditas “exóticas”, mas no sentido de comercialização, via meios de comunicação, demonstrando “vidas possíveis” em que todos podem sonhar. Esta é a proposta das ethnoscapes do teórico do multiculturalismo Arjun Appadurai, o que só pode ser compreendido em termos da sociedade mundial, não havendo nada de nacional ou étnico nisso, é apenas mais um fenômeno desta globalização cultural ou da indústria cultural globalizada.
Beck percebe também, por sua vez, que “as novas possibilidades técnicas iniciadas pelo advento das redes telemáticas mundiais não encerram apenas o risco de uma menoridade ainda mais aprofundada do gênero humano, mas também a possibilidade de realização de uma forma inédita de liberdade, da consolidação de uma ‘aldeia global’, tal como antevista por McLuhan nos anos 60 do século XX” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 156).
Em contraponto ao conceito de globalidade, Beck propõe o conceito de globalismo. Este conceito é a ideologia neoliberal que está presente nas esferas de poder de vários países do mundo, e que pode ser um grande risco. Um dos erros do globalismo neoliberal, apontado por Beck, é a chamada “metafísica do mercado mundial”. Tal que se guia pela concepção de um mercado que não é fruto de ações humanas, mas de forças transcendentes incontroláveis. Outro erro é o chamado “comércio mundial livre” que não leva em conta particularidades regionais, e que, além disso, encena uma liberdade de mercado que não existe na prática.
Scott Lash, por sua vez, embora coincida com Beck no conceito da modernidade reflexiva, tem uma posição mais crítica em relação aos efeitos da globalização, tais como a exclusão crônica que ameaça os países do terceiro (e quarto) mundo, além dos países menos favorecidos dos que fazem parte do capitalismo avançado, em virtude da política neoliberal que faz um desmonte da máquina de bem-estar social. Lash estabelece uma relação entre a exclusão e os novos meios de comunicação. A nova classe baixa não está certamente entre os manipuladores da informação, mas está entre os receptores de símbolos e imagens no seio das estruturas de informação e comunicação. Tal disparidade entre os que manipulam e os que consomem informação neste cenário é um perigo, segundo Lash, para uma crítica cultural fundante.
Lash afirma que, atualmente, as mercadorias culturais postas à disposição do consumidor, têm a sua forma mediatizada diminuída se tornando sinais. É o que Lash diz em relação à fenômenos tais como a televisão, por exemplo, na reportagem esportiva, nas notícias, na Reality-TV e nos “shows de divórcio”, assim como nos talk-shows. Portanto, segundo Lash, “a maior parte da informação nas estruturas de informação e comunicação mediatiza o significado na forma de sinal” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 158).
Desde 1990 – ano considerado um marco para o início da globalização -, os meios de comunicação estão passando por enormes transformações, observando-se, por exemplo, uma concentração de capitais enorme nesse ramo, “de modo que pouco mais de uma dúzia de grandes corporações controlam quase toda a oferta de mercadorias culturais posta à disposição no mercado mundial” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 159), o que afirma o caráter avassalador e padronizado da oferta atual na cultura de massa.
Uma das principais características desse cenário cultural globalizado é o predomínio do mercado norte-americano sobre todos os demais, tanto na produção como no consumo de mercadorias culturais.
Outro fenômeno presente nesse cenário, para além do predomínio exclusivo dos EUA, é a formação de enormes oligopólios dos media, onde há uma tendência ao predomínio de corporações transnacionais que anteriormente atuavam em outro ramo e que migraram para a indústria do entretenimento, destacando-se, particularmente, nesse caso, conglomerados eletro-eletrônicos japoneses e, mais recentemente, grandes operadoras de telefonia norte-americanas e/ou europeias.
Um dos primeiros global players, entretanto, foi o australiano Rupert Murdoch, que começou comprando jornais falidos que se transformavam em jornais sensacionalistas, tentando, neste ínterim, comprar empresas norte-americanas de entretenimento como a Warner e a Disney, adquirindo em 1985 a Twentieth Century-Fox com um acervo de 2.000 filmes, mas ainda não possuía uma rede de televisão. Nesta mesma época o mercado norte-americano de televisão era dominado por três grandes redes (ABC, CBS e NBC), foi então que Murdoch se aliou a emissores independentes criando a Fox TV. “A receita de sucesso da Fox TV foi semelhante à que Murdoch aplicou na imprensa escrita: muito sensacionalismo, apresentado sob a rubrica de Reality TV, um novo gênero que liga reportagem com voyeurismo de catástrofes” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 161).
Ocorre, por conseguinte, uma nova tendência por séries mais baratas, visto a maior distribuição de audiência entre os canais televisivos, há então a produção dos chamados Quiz-shows que, junto com o sensacionalismo da chamada tabloid tv, fazem cair o nível da programação, justificado pelos baixos custos da mesma.
Por sua vez, como já mencionado anteriormente, grandes corporações de hardware eletrônico passaram a comprar empresas de entretenimento, como é o caso da Sony, por exemplo. A Sony havia se capitalizado muito nos anos 80 devido ao lançamento do Walkman, depois dos aparelhos de CD (e do Diskman), comprando em 1988 a gravadora CBS, instalada em Hollywood, transformando-a na Sony Music, além de aquisição, pouco depois, do antigo estúdio cinematográfico Columbia Pictures. A Matsushita, por sua vez, proprietária das marcas Panasonic, JVC e Technics, comprou o conglomerado hollywoodiano MCA/Universal, lucrando muito com o lançamento do filme Jurassic Park em 1993 de Steven Spielberg.
“Mas o desenvolvimento da indústria cultural no mundo globalizado não se limitou a esse esquema de compra de grandes empresas de entretenimento por corporações japonesas do ramo da eletrônica: temendo a concorrência desses conglomerados, duas gigantescas empresas norte-americanas de media formaram, em 1989, um império ainda maior: a Warner Communications foi vendida por 14 bilhões de dólares para o grupo editorial Time-Life, constituindo a Time Warner, que se tornou o maior e mais lucrativo conglomerado de comunicações do mundo. Contudo, os norte-americanos não ficaram totalmente livres dos japoneses, pois, pouco depois, a Toshiba e a C.Itoh entraram na sociedade. A primeira, aliás, desenvolveu juntamente com a Time Warner, o DVD” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 163). Outro exemplo do processo de globalização na indústria cultural é a Viacom que, por sua vez, adquiriu outro dos grandes estúdios cinematográficos, a Paramount, com o objetivo de formar uma poderosa rede de televisão. Mas o que mais caracteriza a Viacom como empresa típica da indústria cultural global são seus vários canais a cabo, tais como o canal infantil Nickelodeon e a MTV, adquirida da Warner em 1985.
“Do ponto de vista tecnológico, pode-se dizer que toda a indústria cultural global é marcada pelo advento e pelos desenvolvimentos no campo do registro, da geração e da transmissão de som e imagem por meios digitais” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 164). Até fins dos anos 80 ainda se investia em equipamentos analógicos de transmissão de som e imagem, mas a partir do início da década de 90 tudo mudou. Com os avanços da informática, o sistema digital de transmissão de som e imagem se impôs, deixando o sistema analógico obsoleto. Sistema digital que permite, por exemplo, transmitir som e imagem de alta qualidade por meio de cabos telefônicos ou via satélite, podendo oferecer centenas de canais de televisão ao redor de todo o mundo. Além disso, uma vez que “a técnica de compressão digital possibilita a transmissão de informações de áudio e vídeo por linhas telefônicas, isso tem como efeito que as companhias telefônicas surjam também como interessadas no oligopólio global dos media” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 165-166).
Mas, o principal fato de todos esses avanços aqui citados, é que “há uma realidade digital extremamente difundida em todo o mundo: desde os finais dos anos 80 e início dos 90 do século XX (período que coincide com o advento da globalização) os computadores pessoais – graças à difusão de inferfaces gráficas como das plataformas Apple e Windows – vêm se tornando eletrodomésticos como quaisquer outros” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 167). A Internet, por exemplo, que foi de uso exclusivamente militar durante a Guerra Fria, também tornou-se, com a extensão da computação gráfica – empregada inicialmente nos computadores individuais – à rede mundial de computadores, de uso comum entre as pessoas, o que começou desde o início dos anos 90. “Tais fatores (computação gráfica e crescimento mundial da rede) tiveram dois resultados principais: 1 – a imensa difusão do correio eletrônico, como meio de comunicação entre indivíduos, instituições e corporações e 2 – o surgimento da World Wide Web (de onde vem a sigla www usada no endereçamento dos sites). Especialmente esse último fator teve um impacto importante na transformação dos microcomputadores em concorrentes dos veículos tradicionais, via telecomunicações, da indústria cultural: o rádio e a televisão” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 168).
Há, agora, a tendência de fusão entre a televisão/vídeo e o computador, na atual tendência de convergência entre os meios de comunicações. Tal concorrência entre os computadores pessoais e a televisão era, antes, algo inimaginável, mas foi antevista com a Internet e, hoje, já é uma realidade, transformando-se tal concorrência, por conseguinte, em fusão total. (Telefone móvel ou celular com TV e Internet, por exemplo, tornam-se cada vez mais comuns com o avanço dos anos e da tecnologia digital).
Na esteira do movimento de fusões e compras entre grandes corporações ligadas à indústria cultural, começou também a surgir os provedores globais de acesso à Internet: o caso mais famoso foi o processo de fusão entre a AOL (America On Line) e a Time Warner, tornando-se a primeira companhia de media e comunicações propulsionada pela Internet do mundo.
Mesmo assim, com todo o avanço da tecnologia e da globalização cultural, para Beck, no entanto, há um limite factual dessa globalização, isto é, “a relatividade da extensão dos seus efeitos a todos os rincões do mundo” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 170). Um fato que comprova tal afirmação de Beck é que os países capitalistas desenvolvidos negociam muito mais entre si do que com os países pobres, continuando esses países pobres como zonas de conflitos originados pela pobreza, pelas etnias e pelas nacionalidades.
Além disso, com a globalização tem-se um fenômeno de pavor pelo “fim do emprego”, pelo menos do tipo de emprego conhecido, podendo gerar conflitos que despertem a ira, terreno propício para a violência, neonacionalismo e revoluções, sendo algo realmente preocupante no que concerne à sobrevivência da democracia, podendo surgir, em face de situações de desemprego ou subemprego, radicalismos de direita, porquanto, com a globalização, temos “ a perda por parte de grandes parcelas das populações dos países mais ricos, do poder de barganha que tinha, por exemplo, o operariado industrial até mesmo nos primórdios do capitalismo monopolista” (Duarte, Rodrigo, Teoria Crítica da Indústria Cultural, 2007, p. 172). O que ocorre, por fim, na realidade, é que, salvo as afirmações de Beck e de Lash, os vencedores da globalização são minoria, enquanto que as legiões de miseráveis do terceiro e do quarto mundo formam um contingente enorme de perdedores da globalização.
Podemos concluir, então, que, em face da globalização da economia, temos, para além disso, com o avanço da tecnologia da comunicação e da informação, devido sobretudo pelo advento do sistema digital de transmissão de som e imagem, uma globalização cultural, ou melhor, o fenômeno da indústria cultural global que, por conseguinte, passa a ser algo inexorável para a humanidade, onde temos grandes fusões empresariais formando os gigantes conglomerados dos media, trazendo em seu bojo uma grande concentração do poder e do capital na mão de poucos poderosos e magnatas.
Então, uma vez que é sabido que nem todos participam das benesses da indústria cultural global, uma vez que o status quo serve apenas aos “vencedores” da modernidade dita reflexiva (conceito de Beck e de Lash), deixando de fora os “perdedores” da mesma, fica a questão de se um dia será possível transformar tal avanço tecnológico num meio de justiça social, ou melhor, se tal pretensa “democratização” digital poderá também proporcionar um acesso realmente global das mercadorias culturais, e não somente de uma manipulação ideológica de padrões culturais e estilos de vida importados do tal “american way of life”. Fica aqui a grande questão. Se um dia a indústria cultural global poderá ser de fato algo acessível para toda a humanidade, uma vez que, até agora, isto só tem servido aos interesses da ideologia neoliberal.
Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com
http://seculodiario.com.br/18799/14/a-industria-cultural-na-globalizacao
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